30 de Março 2015

Hoje recebi um e-mail de um colega de trabalho que considero muito perguntando como estava. Se estava me recuperando da cirurgia e desejando que tudo tivesse ocorrido dentro do planejado. Dizendo que era pra eu me cuidar pra voltar bem pro trabalho.
Nem sabe ele que ainda não surgiu em mim meu desejo de voltar a trabalhar nestas atuais condições.
É claro que o e-mail foi gentil e apenas com o propósito de dizer um olá. Mas, aproveitei a oportunidade para desabafar quando a impressão que temos é que as pessoas que estão ao nosso lado já estão cansadas de saber como realmente estamos. E nossos relatos dão até a impressão que são simples reclamações desnecessárias, já que tudo está ocorrendo dentro do planejado.
Respondi o e-mail agradecendo a lembrança e as boas energias e depois veio o meu grande discurso ou desabafo. Expliquei que para os meus médicos e para a família estava sempre "ótima". Segundo minha dor tais discursos eram apenas para me enganar. Mas, que a grande verdade era que tudo estava previsto e fazia parte deste difícil tratamento. Precisava não apenas de fé como também aprender a ter paciência.
Aproveitei para dizer que iria retornar ao hospital para trocar curativos e ser acompanhada pelo médico que fez a cirurgia de retirada do tumor. Como um bom cirurgião que só pensa em cirurgia é claro que estava otimista como sempre e pronto para uma nova cirurgia, se fosse preciso. No meu caso e na minha situação sabia que isto iria acontecer para fazer a reversão do intestino. Mas, meu desejo era descansar um pouco e esquecer esta história toda de cirurgia, internação e hospital porque na minha cabeça tudo isto já havia acabado de acontecer. E quanto mais fosse adiado tudo isso melhor seria pra mim. Estava tendo outros planos para quando a dor passar. Preciso, no mínimo,  de uma nova viagem ou quem sabe lançar um outro livro ... pra recarregar minhas energias ( brincadeira verdadeira).Enfim, qualquer coisa que me desse um pouco de prazer porque ficar de repouso dentro de casa e só saindo para ir ao hospital estava me deixando cansada e sem ânimo. Precisava me divertir um pouquinho pra recuperar as energias. Mas, confesso, para uma pessoa como eu que vivia do trabalho para casa entender exatamente o que significa "me divertir um pouquinho" possa parecer algo completamente complexo. Não sei por onde começar e nem o que fazer. Estava pensando em começar comemorando a Páscoa, o dia das mãe, os 21 anos de casada, passando as festas juninas no Nordeste, indo para as Olimpíadas etc. Estava percebendo que os médicos homens nem sempre entendem esta nossa necessidade feminina.

Como teria uma nova consulta com o meu oncologista tinha a certeza de que ele seria mais generoso que o meu cirurgião e permitiria que eu me recuperasse primeiro antes de passar para próxima etapa do tratamento.
Meu colega achou que todas as notícias que eu dei eram boas, fora a dor que eu sentia. Disse que era pra eu fazer tudo o que tinha que ser feito e aproveitasse os bons momentos que a vida iria me proporcionar. E novamente me desejou energias positivas. Finalizou o e-mail dizendo que logo o tratamento iria terminar e que eu estaria livre de tudo isso.


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