31 de Março de 2015
Não estava preparada para esta consulta de retorno para o meu oncologista. Da última vez, saí da consulta com uma indicação de retorno para após a cirurgia e também uma solicitação de novo exame de sangue. Como ainda não estava me sentindo bem pensei em não voltar tão rápido.Mas, meu médico cirurgião fez o encaminhamento e disse que aguardava uma resposta do meu médico. Ele queria saber se o oncologista iria fazer a quimioterapia antes ou depois da cirurgia de reversão. Depois da cirurgia para a retirada do tumor foi necessário fazer o desvio do intestino. Por isso passei a usar uma bolsinha de ostomia provisória. Antes da cirurgia fui informada que ficaria com ela um mês. Quando ainda estava internada me disseram que poderia ficar por 4 meses. Mas, meu médico disse que já poderia tirar. Tudo iria depender do meu oncologista. Caso ele tivesse a intenção de fazer o tratamento com quimioterapia poderia fazer um exame para confirmar se tudo estava bem por dentro e pronto. Era só fazer a cirurgia de reversão.
Esta proposta pareceu ótima porque estava bastante preocupada com a bolsinha não pela complicação em cuidar ou ter que ficar com ela. O maior problema, por incrível que pareça, era ter que depender do plano de saúde ( convênio) ou dos órgãos públicos para adquirir tais bolsinhas. Até o momento tenho sobrevivido com as poucas bolsas que recebo do hospital sempre que vou ao ambulatório fazer o curativo e a trocada bolsinha.
Apesar de existir uma lei que me garante tal direito na prática não tem sido bem assim. Ligo para o plano de saúde e a atendente diz que é o hospital quem deve fazer a solicitação e me entregar. O hospital já havia entregue um documento de solicitação para eu mesma fazer a retirada através do convênio ou de algum estabelecimento público. A única coisa que sei é que estou sem as bolsinhas.
Não tenho tido muita "sorte" com as bolsas. Faço a troca no hospital para garantir a qualidade da troca evitando o vazamento e a diminuição da dermatite. A bolsa que deveria durar 5 dias começa a vazar já no segundo dia de uso. A dermatite não aconteceu quando estava em casa e sim na internação. Depois tive que correr atrás do prejuízo. Minha primeira troca foi bastante difícil e por mais que eu tenha tentado prestar atenção nos momentos de orientação parecia que eu havia esquecido de fazer alguma coisa. Depois percebi que o problema não era saber fazer a troca. Acredito que pelo fato da pele estar muito machucada dificultava a adesão da peça. Tenho usado a bolsinha de duas peças. E toda vez que vou para o hospital ( 2 vezes por semana) presto bastante atenção no procedimento. Mesmo as bolsinhas trocadas no ambulatório do hospital não duram mais do que dois dias e já vazam. Por isso, preciso de bolsas o mais rápido possível.
Este é um problema que ainda preciso resolver.
Sim, voltando para a questão da consulta de retorno com o meu oncologista.
Fui para a consulta junto com o meu marido porque era importante fazer todas as perguntas possíveis inclusive o resultado da biópsia feita com a peça retirada na cirurgia.
É claro que o meu médico cirurgião explicou mas sempre restam dúvidas. E como todas as minhas informações são lançadas no sistema não custa nada perguntar o que o outro médico achou dos resultados.
Após tirar todas as minhas dúvidas com um dos médicos da equipe meu médico oncologista entrou na sala para definir a quarta etapa do tratamento.
Disse que olhando todos os meus atuais exames poderia até fazer um tratamento mais brando para me poupar. Mas, analisando a situação no momento que cheguei ao hospital em um estágio avançado da doença ele entende que é justamente desta forma que precisa encarar meu tratamento. Sendo assim, terá uma conduta mais séria possível para não comprometer todo o avanço obtido até o momento.
Preciso voltar para a quimioterapia o mais breve possível porque existe um intervalo limite entre a cirurgia e o retorno da quimioterapia. Isto significa que o meu médico cirurgião tem apenas 12 dias no máximo para fazer a cirurgia de reversão do intestino. Caso contrário, não poderemos perder mais tempo. Começada a quimioterapia poderei acabar ficando com esta bolsinha de iostomia por uns cinco meses.
Perguntei se teria que retornar ao trabalho visto que a minha licença acaba em abril. Ele disse que eu posso decidir o que for melhor pra mim. Perguntei se iria cair o cabelo visto que o tratamento agora seria feito com outro tipo de quimioterapia. O médico disse que esta nova quimio não era mais agressiva do que a outra e sim diferente. No entanto, o cabelo pode ou não cair. Acredita que não cai mas não pode garantir.
Perguntei se o tratamento seria com internação , como ocorreu nas duas últimas vezes. Ele disse que existia a possibilidade de fazer com um aparelho de infusão em casa mas que os planos de saúde não costumam autorizar com facilidade. Vai depender do plano de saúde.
Achou melhor não definir o tratamento antes de ter o retorno do cirurgião. Saí da consulta com indicação de retorno para o dia 02 de abril. Até lá precisava entrar em contato com o meu médico cirurgião pra saber se ele consegue fazer uma cirurgia em até 12 dias.
Meu médico recomendava a reconstrução do trânsito intestinal no tempo de 10 a 15 dias para que o período fosse favorável ao início de Folfox Adjuvante após o tratamento cirúrgico. E caso não fosse possível teria que fazer o tratamento com Folfox adjuvante em 10 ciclos e deixar a reconstrução intestinal para depois.
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